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Aula 03/2013
 
 ESCOLA VIVENCIAL DO GED DE PIRACICABA - 2013

3ª. AULA – O LEVÍTICO

O Livro do Levítico -: O Livro do Levítico deriva seu nome da tribo de Levi, uma das 12 tribos de Israel. Isso se deve ao fato que essa tribo foi incumbida de zelar pelo culto da religião hebraica; dos levitas eram recrutados os sacerdotes e os servidores do Templo, e somente eles podiam encarregar-se dos assuntos religiosos.

            Para os cristãos atuais, o Livro do Levítico, que contém as prescrições rituais do culto judeu, apresentam apenas um interesse documentário já que, como sabemos, Jesus Cristo aperfeiçoou as regras religiosas judaicas, transformando-as no Evangelho da Nova Aliança. É necessário salientar que os judeus, não aceitando Cristo e sua doutrina, continuam a seguir o Levítico sem os ensinamentos do Evangelho. Pode-se ler o Levítico em sua forma hebraica no Antigo Testamento da Bíblia.

            O Levítico é, pois, um manual redigido para os judeus, de acordo com usos e costumes muito antigos. Antes mesmo de Jesus Cristo, o livro passou por muitas transformações, recebendo novos conceitos principalmente após a construção do templo de Salomão, no século 10 antes de Cristo.  

            Os antigos hebreus conheciam quatro tipos de sacrifício para honrar a Deus e contidos no Levítico:

            Os Holocaustos, nos quais o animal oferecido era totalmente consumido pelo fogo, com a fumaça subindo aos céus;

            As Oblações, ofertas de frutos, de farinha e de outros produtos da atividade agrícola, que acompanhavam os holocaustos;

            Os Sacrifícios Pacíficos, ou seja, as ações de graças; e

            Os Sacrifícios de Expiação, destinados a reparar os pecados e as faltas involuntárias contra a Lei. Compunha-se de diversas práticas materiais e espirituais exigidas para a expiação, como arrependimento sincero, auxílio aos necessitados e até mesmo ofertas em dinheiro e/ou outros bens ao Templo, dependendo da severidade das faltas cometidas.

            A importância das prescrições contidas no Levítico repousa no fato que Israel é um estado político e religioso desde sua formação e  essas prescrições são seguidas até hoje, embora mais atenuadas. Ainda no tempo de Jesus Cristo, as regras do Levítico (conhecidas como parte da Lei) eram seguidas, embora já muito adulteradas, o que provocou as críticas feitas por Ele, desencadeando todos os problemas de Cristo com os sacerdotes e doutores da Lei. Jesus argumentava, com toda a razão, que os sacerdotes e intérpretes da Lei de Moisés haviam adicionado às regras de Deus muitas outras coisas absolutamente dispensáveis, se não absurdas, criadas para seu próprio benefício. Um exemplo bastante esclarecedor está em Mt 15, 1 – 20, onde, após ser criticado pelos fariseus porque os seus discípulos comiam sem lavar as mãos, Jesus proferiu estas palavras: “Porque é do coração que provém os maus pensamentos, os homicídios, os adultérios, as impurezas, os furtos, os falsos testemunhos, as calúnias. Isso é o que mancha o homem. Comer, porém, sem ter lavado as mãos, não mancha o homem”.

            O excesso de prescrições exigidas para que cada pessoa do povo judeu atingisse o estado de “pureza legal” era devido ao presumido respeito com que os hebreus dedicavam a tudo aquilo que, na vida cotidiana, podia ser encarado como uma relação particular com o Deus Javé ou o seu culto.

            Alguns exemplos da severidade e, em muitos casos, do absurdo de algumas dessas prescrições exigidas pelo Levítico podem ser observados: no dia de sábado, não se podia andar mais do que 500 metros; ainda no sábado nenhuma atividade comum do dia a dia podia ser feita (nem mesmo curar alguém, como Jesus fez); mulheres menstruadas, consideradas impuras, não podiam ser tocadas e nem era permitido que entrassem no Templo. Na verdade, havia mais de 600 prescrições a serem cumpridas pelos cidadãos.

            Uma das mais famosas prescrições contidas no Levítico era a Pena de Talião: “Olho por olho, dente por dente” (Lev 24, 17 – 20). Isso significava que qualquer ofensa de qualquer natureza deveria ser vingada com a mesma severidade. Foi acrescentada, posteriormente, uma cláusula que permitia serem vingadas sete vezes as injúrias e as injustiças recebidas (provavelmente esse costume foi o que levou Pedro a perguntar a Jesus até quantas vezes (sete?) se devia perdoar uma ofensa). Conhecemos a resposta de Jesus: “Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete” (Mt 18, 22). Jesus aboliu a Pena de Talião: “Tendes ouvido o que foi dito: olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao mau. Se alguém te ferir a face direita, oferece-lhe também a outra. Se alguém te citar em justiça para tirar-lhe a túnica, cede-lhe também a capa. Se alguém vem obrigar-te a andar mil passos com ele, anda dois mil. Dá a quem te pede e não te desvieis daquele que te quer pedir emprestado”  (Mt 5, 38 – 42).

            Mas nem todas as prescrições contidas no Levítico são abusivas. Há muitas e muitas orientações que podem (e devem) ser seguidas por todos, sejam judeus ou cristãos. Como Jesus disse, Ele não veio abolir a Lei, mas sim aperfeiçoá-la.

 

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