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Aula 04/05/15 - Estudos Bíblicos: Conhecendo a Bíblia Sagrada

ESCOLA VIVENCIAL DO GED DE PIRACICABA – 2015

 

ESTUDOS BÍBLICOS: CONHECENDO A BÍBLIA SAGRADA

                        04/Maio/2015 

 

 

Prólogo -: Conforme a definição da Igreja, “a Bíblia Sagrada é um conjunto de livros que foram escritos sob a inspiração do Espírito Santo, tem Deus como autor e este conjunto de livros foi entregue à Igreja”. Pode-se questionar se esta é uma definição completa, mas é suficiente para que se compreenda a idéia principal: a Bíblia foi entregue à Igreja para que os cristãos saibam qual é a vontade de Deus em suas vidas.

            No entanto, a Bíblia é um conjunto de livros muito difícil. É antigo, escrito por orientais, cuja mentalidade é bastante diferente da mentalidade Greco-romana seguida por nós, e, além disso, seus escritores são muito diversos. Para dificultar mais um pouco, esses escritores viveram em tempos muito antigos e diferentes, num enorme intervalo de tempo, que vai desde os escritos iniciais (por volta de 1.200 anos antes de Cristo) até o último livro, o Apocalipse de São João (que data por volta do ano 100 depois de Cristo).

            Vamos acrescentar sobre tudo isso o fato de que a Bíblia foi escrita em idiomas que hoje em dia não mais existem como tal, o hebraico, o aramaico e o grego antigo. Essas línguas antigas eram muito pobres e, para coisas diferentes, usavam as mesmas palavras, o que dificulta enormemente a tradução. Basta um exemplo para exemplificar isso: o aramaico chamava irmãos, primos, tios e sobrinhos com uma só palavra: irmão. Logo, a dificuldade de tradução pode ser compreendida, e isso pode levar as interpretações erradas do real significado do texto sagrado, como é o caso dos pretensos “irmãos” de Jesus. 

 

Livros inspirados -: conforme a própria definição da Bíblia, o conjunto de livros que a forma é livros “inspirados pelo Espírito Santo”. Mas o que é a Inspiração? No caso da Bíblia, quer dizer orientação, diretriz. Entretanto, isso não significa que o escritor sagrado, chamado “hagiógrafo”, foi um mero instrumento nas mãos de Deus, escrevendo ao pé da letra tudo o que o Espírito “ditou”. Aliás, a inspiração não é um simples ditado. Uma prova disso está em II Macabeus, 2, 19-23, onde o escritor sagrado diz que um resumo de 5 livros que ele precisou fazer para colocar no texto lhe custou “suores e noites de vigília”. Se fosse um simples ditado, isso não aconteceria. Também Lucas, o autor do terceiro Evangelho, diz em sua introdução (Lc 1, 1) o seguinte: “Depois de haver diligentemente investigado tudo desde o princípio, resolvi escrever...” Isso mostra que a inspiração de Deus não excluiu a colaboração do homem.

            Houve tempos em que se acreditou que a inspiração de Deus se explicaria pela aprovação da Igreja aos livros que a Bíblia contém. No entanto, isso não pode ser considerado como verdade absoluta, pois os livros do Antigo Testamento, embora aprovados pela Igreja Católica, são livros judaicos e contém muitas coisas que não são pertinentes aos cristãos nos dias de hoje.

            Outra tentativa de definição do problema diz que “as idéias são de Deus, mas as palavras são do homem”. Isso é o mesmo que dizer que Deus ditou de uma forma e o homem escreveu a mesma coisa de outra. Em alguns casos, pode ser verdade, mas não em todos.

            Mas então, o que se explica hoje em dia como “inspiração do Espírito Santo” para os livros da Bíblia? Se aceita o seguinte: a inspiração de Deus compreende três mecanismos diferentes, que são a apreensão, o juízo e o raciocínio.

            A Apreensão é uma orientação direta de Deus logo no primeiro momento em que o escritor sagrado começou a escrever. Alguns conceitos podem ter sido escritos desta forma, que seria como dito acima, idéia de Deus e palavras do homem. Um exemplo poderia ser o livro do Apocalipse de São João, onde as visões de João se transformaram no seu último livro. Este tipo de inspiração é chamado de “Revelação”. (Aliás, o Apocalipse é chamado, em inglês, de “Revelations of St. John”).

            O Juízo considera que o escritor sagrado apreciou corretamente aquilo que o Espírito lhe apresentou, fez uma interpretação perfeita do que deveria ser escrito. Aliás, quando o escritor sagrado ou a pessoa que Deus orienta não faz um juízo correto daquilo que deve ser feito ou escrito, Deus intervém. É o caso de Jonas, que foi instruído por Javé para pregar em Nínive, um lugar de pagãos. Jonas pensou que Javé era o Deus de Israel, e, portanto não deveria ser pregado a pagãos. Resolveu por sua própria conta ir pregar em outro lugar. Acabou engolido por uma baleia, conforme conta a Bíblia, e lá ficou por 3 dias. Tudo por fazer juízo errado.

            O Raciocínio orienta o escritor sagrado para, usando de sua inteligência, escrever aquilo que Deus manda, segundo a sua Vontade expressa nos Mandamentos e na doutrina, e a fugir da tentação de escrever aquilo que é a sua interpretação humana, normalmente sujeita a falhas. Em resumo, para fazer um juízo correto.

 

Para entender -: há quem pense que tudo o que está escrito na Bíblia deve ser seguido ao pé da letra. Isso é muito comum em seitas evangélicas, que acabam tomando atitudes absurdas (veja-se a proibição de algumas seitas que impedem a absorção de medicamentos e a transfusão de sangue, deixando tudo “nas mãos de Deus”, ignorando que a evolução humana é uma dádiva de Deus). Isso levou à fragmentação do protestantismo, pois cada um interpreta a Vontade de Deus segundo a sua própria.

Então, é preciso saber que na Bíblia há muito simbolismo, muitas coisas mais ou menos encobertas, que devem ser interpretadas por especialistas (exegetas) da Igreja, que sabem fazer uma apreensão, um juízo e um raciocínio correto, pois dedicam sua vida a essa missão. Essa forma de agir é um dom que se chama o dom da Inerrância.

 

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