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Aula 11/05/15 - Estudos Bíblicos: Interpretação Da Bíblia

ESCOLA VIVENCIAL DO GED DE PIRACICABA – 2015

 

ESTUDOS BÍBLICOS: INTERPRETAÇÃO DA BÍBLIA

11/Maio/2015

 

 

A Hermenêutica -: esta palavra origina-se do grego e significa interpretação. Desde o início, a Igreja tentou interpretar corretamente os fatos e ensinamentos contidos na Bíblia, mas muitas dificuldades ocorreram nesta tentativa, influenciada que foi pelas origens judaicas dos primeiros cristãos e por idéias contrárias daqueles que não concordavam com a forma da Igreja se conduzir neste aspecto, surgindo assim muitas heresias. Como não existe unanimidade de pensamento, a hermenêutica religiosa das religiões judaica e cristã acabou por seguir interpretações diferentes daquilo que seria a Vontade de Deus. Dessa maneira, surgiram e perduram até hoje 3 tipos principais de interpretação bíblica: a rabínica, a protestante e a católica.

 

            Iremos ver a seguir os pontos principais e as diferenças entre estas 3 formas de interpretar a Bíblia. 

 

Hermenêutica Rabínica -: os judeus interpretavam a Bíblia (no caso, o Velho Testamento) ao pé da letra, por causa da noção que tinham da inspiração divina: o conteúdo dos livros sagrados seria ditado pelo próprio Javé. Se uma palavra ou frase não tinha sentido inteligível, eles usavam artifícios da sua doutrina para dar esse sentido. O Novo Testamento também foi influenciado por essa mentalidade. Um exemplo disso pode ser visto no episódio do paralítico curado por Jesus e chamado pelos fariseus para contar o sucedido. Como sabemos pelo Evangelho, o paralítico havia passado 38 anos como doente. Seriam mesmo 38 anos? Eis o raciocínio do escritor sagrado para determinar esse tempo: 40, para os judeus, é um número perfeito (40 anos do povo judeu no deserto, 40 dias do jejum de Cristo, 40 dias em que Jesus permaneceu na terra após a Ressurreição... etc.). O número dois também é considerado perfeito porque os 10 Mandamentos da Lei de Deus se resumem em 2 (amar a Deus e ao próximo). Ora, 40 menos 2 dá 38, que é considerado o número da doença.

            Este modo de interpretação passou dos judeus para os cristãos da Igreja Primitiva e, em muitos casos, até para a Igreja Medieval. Condenou-se tudo o que eram teorias que pareciam ser contrárias à Bíblia (Galileo Galilei quase foi sacrificado porque afirmou que a terra girava em torno do sol, e não o contrário). No século 18, uma mentalidade racionalista tomou direção oposta: negou-se tudo o que tinha aspecto sobrenatural. Por exemplo, chegaram a especular que Jesus não fazia milagres, mas hipnotizava os espectadores e os fazia pensar que haviam visto milagres... Disseram que Jesus não ressuscitou, porque não havia morrido na cruz, apenas havia desmaiado. Essas teorias não vieram da Igreja, é claro, mas essa mentalidade atrapalhou em muito a compreensão da Bíblia entre o povo.

 

            Mas a Igreja acabou se libertando dos resquícios da hermenêutica rabínica judaica, e iniciou a ver na Bíblia 3 sentidos para orientar a interpretação: o literal, o pleno e o acomodatício.  O sentido literal mandava interpretar pura e simplesmente o que o escritor sagrado escreveu, e nada mais. O sentido pleno ditava que se observasse nas palavras do escritor sagrado se havia um outro sentido mais profundo, que se poderia descobrir, embora não estivesse escrito. Finalmente, o sentido acomodatício dizia que a interpretação do texto bíblico devia se acomodar ao sentido que se queria. Por exemplo, em Mateus se lê: “Do Egito chamei meu filho”. Originalmente, esta frase se referia (no livro do Êxodo) à saída do Povo de Deus do Egito, mas Mateus acomodou-a para significar a volta da Sagrada Família para Nazaré.

            Esta compreensão dos diferentes sentidos que os livros da  Bíblia possui foi fundamental para a hermenêutica cristã, como veremos a seguir. 

 

Hermenêutica Protestante -: surgiu dos protestos de cristãos alemães do século 16 contra a autoridade da Igreja Católica. Martinho Lutero instituiu o princípio da “Scritura sola” (somente a Escritura, ou seja, somente a Bíblia) e aboliu a Tradição e o Magistério da Igreja. Mas isso causou um desastre na hermenêutica, sendo que Lutero mandou que cada um interpretasse a Bíblia como bem entendesse, pois o Espírito Santo iluminaria cada um... Isto provocou centenas (ou seriam milhares?) de interpretações diferentes da Bíblia, resultando em uma profusão de igrejas protestantes diferentes, cada uma seguindo aquilo que seu fundador quis entender das Escrituras. Esse processo continua ativo até hoje, cada vez se distanciando mais do real significado da Palavra de Deus. Inclusive, existe uma corrente protestante que diz que milagres não existem. Por isso, os protestantes não têm milagres em suas igrejas e na sua história.  E Jesus, não fez milagres?

 

Hermenêutica Católica -: no princípio, a Igreja Primitiva apegou-se mais à Tradição e menos à Bíblia.  Houve um longo período da História em que os fiéis eram até mesmo proibidos de ler a Bíblia. Até o século 19, a tendência era conservar a Apologética (defesa da fé) contra qualquer tentativa de mudança. O padre Lagrange, sacerdote francês, iniciou o movimento de evolução da hermenêutica católica da Bíblia, unindo a Tradição com a História, mas foi muito criticado pelos setores mais conservadores da Igreja. A Igreja Católica custou bastante a perceber o seu atraso em relação aos protestantes no que se refere ao estudo bíblico, e até há pouco tempo atrás ainda afirmava que o autor do Pentateuco era Moisés, fato que os protestantes já sabiam não ser verdade  havia 100 anos. O primeiro passo da nova exegese católica começou com o Papa Pio XII, em 1943, que reconheceu que os livros da Bíblia têm vários gêneros, e que esses gêneros diferentes devem ser interpretados de diferentes maneiras. E isso culminou com o Concílio Ecumênico Vaticano II, em 1962-63, quando o Papa João XXIII arejou definitivamente a hermenêutica católica que desfrutamos hoje em dia.

 

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