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Aula 12/03/18 - O Processo de Jesus

ESCOLA VIVENCIAL DO GED DE PIRACICABA – 2018

 

O PROCESSO DE JESUS

12/Março/2018

 

Discussões entre os fariseus -: entre as autoridades religiosas de Jerusalém, não somente houve os fariseus Nicodemos e José de Arimatéia como discípulos secretos de Jesus, mas houve outros que não foram citados nos Evangelhos. Isso é sabido por que durante muito tempo, houve grandes discussões sobre qual atitude deveria ser tomada acerca das atividades de Jesus. O Sinédrio (espécie de órgão político-religioso dos judeus) era composto de muita gente importante, chefiado pelo Sumo Sacerdote Caifás. Se houve muitas discussões, era sinal de que nem todos concordavam com a ideia de processar Jesus por blasfêmia e insurreição contra as autoridades.

 

            Esse fato é confirmado por São João, que no seu Evangelho, anotou o seguinte: “... e até mesmo entre os chefes houve muitos que acreditaram em Jesus. Mas, por causa dos fariseus, não confessavam isso em público, para não serem excluídos da sinagoga” (Jo 12, 42). Isto não tem nada de surpreendente se levarmos em conta que, no dia seguinte ao Pentecostes, “uma multidão de sacerdotes obedecia à fé” (At 6, 7) e que “alguns do partido dos fariseus haviam abraçado a fé” (At 15, 5) ,ao ponto de São Tiago poder dizer a São Paulo que “zelosos partidários da Lei, milhares de judeus abraçaram a fé” (At 21, 20).

 

 

Sem unanimidade -: como se vê, as autoridades religiosas de Jerusalém não foram unânimes na conduta a adotar em relação a Jesus e suas atividades. Os fariseus ameaçaram de excomunhão aqueles que o seguissem. Tinham medo de que “todos crerão em Jesus e os romanos virão e destruirão o nosso Lugar Santo e a nação” (Jo 11, 48). Isso levou Caifás a dizer a eles: “É de vosso interesse que um só homem morra pelo povo e não pereça a nação toda” (Jo 11, 49-50). O Sinédrio então declarou que Jesus deveria ser morto por haver blasfemado contra a Lei, mas, sob o poder romano, não podiam matar Jesus. Para isso, era necessário que Jesus houvesse tramado contra o Império Romano. Entregaram então Jesus aos romanos, acusando-o de revolta política, intitulando-se “o rei dos judeus”, situação em que confrontava o Imperador romano. Nesse caso, Jesus foi colocado na mesma posição de Barrabás, que era um rebelde que lutava contra os romanos. Notando que o procônsul romano Pôncio Pilatos não parecia muito convencido da culpabilidade de Jesus, Caifás e os outros chefes ameaçaram levar o caso ao Imperador em Roma. Com medo de ser prejudicado, Pilatos “lavou as mãos” e entregou Jesus para ser crucificado, libertando Barrabás.

 

 

De quem é a culpa? -: durante muitos séculos, o povo judeu foi considerado, na sua totalidade, como sendo os culpados pela morte de Jesus. Atualmente, a Igreja acredita que um povo todo não pode ser responsabilizado pelo ato de alguns. Considera-se então que, levando-se em conta a complexidade do processo contra Jesus, e qualquer que possa ser o pecado pessoal de Judas, do Sinédrio ou de Pilatos, não se pode atribuir responsabilidade ao conjunto do povo de Jerusalém, a despeito dos gritos de uma multidão manipulada pelos seus chefes contra Jesus. 

 

            Recorde-se também que o próprio Jesus, ao perdoar a todos na cruz (Lc 23, 34), e Pedro, depois dele, lembraram a “ignorância” (At 3, 17) dos judeus e até dos chefes deles. Em tempos passados, considerava-se que os gritos dos judeus de Jerusalém que pediam a condenação de Jesus, dizendo “O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos” (Mt 27, 25), era suficiente para julgar todos culpados. No entanto, sabe-se hoje em dia que essa frase era apenas uma fórmula comum de concordância com a sentença aplicada. Por isso, a Igreja declarou muito oportunamente no Concílio Vaticano II:

            “Aquilo que sucedeu na Paixão de Cristo não pode indistintamente ser imputado a todos os judeus que viviam então, nem aos de hoje... Os judeus não devem ser apresentados nem como condenados por Deus, nem como amaldiçoados, como se isto fosse consequência do relato das Escrituras Sagradas” (Nostra aetate 4).

 

 

Os verdadeiros culpados -: O magistério da Igreja e o testemunho dos santos nunca esqueceram que “foram os pecadores como tais os autores e os instrumentos de todos os sofrimentos pelos quais passou o Divino Redentor” (Catechismus Romanus 1, 5, 11). Levando em conta que os nossos pecados atingem o próprio Cristo, a Igreja coloca nos pecadores de todos os tempos a responsabilidade mais grave no suplício de Jesus.

 

            “Devemos considerar como culpados desta falta horrível os que continuam pecando. Já que são os nossos crimes que arrastaram Nosso Senhor Jesus Cristo ao suplício da cruz, com certeza os que mergulharam nas desordens e no mal, “de sua parte crucificam de novo o Filho de Deus e o expõem às injúrias” (cf. Hb 6, 6). É imperioso reconhecer que o nosso próprio crime, neste caso, é maior que o dos judeus. Pois se os judeus, como testemunha S. Paulo, “tivessem conhecido o Rei da glória, nunca o teriam crucificado” (1Cor 2, 8). Nós, porém, fazemos profissão de conhecê-lo. E quando o negamos pelos nossos atos, de certo modo levantamos contra Ele as nossas mãos homicidas” (Catechismus Romanus 1, 5, 11).

 

            Para terminar, lembremos as palavras de São Francisco de Assis sobre o tema: “Os demônios, então, não foram eles que o crucificaram, és tu que com eles o crucificaste e continuas a crucificá-lo, deleitando-se nos vícios e nos pecados” (S. Francisco de Assis, admon 5, 3).

 

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