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Escola Vivencial
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Aula 16/2012
ESCOLA VIVENCIAL DO GED DE PIRACICABA – 2012
 
16- A BOA NOVA ROMPE FRONTEIRAS (Mc 7, 24 – 30)
(16/Julho/2012)
 
Jesus se esconde -: Marcos nos leva com Jesus para território pagão, para a região de Tiro e Sidônia. Esta região, hoje em dia, pertence ao Líbano, ao norte da Galiléia. Aparentemente, Jesus não foi para lá com intenções missionárias, pois “Ele entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse onde ele estava” (Mc 7, 24). Jesus queria ficar escondido. Por que? Vamos lembrar que Ele acabara de criar um conflito sério com os doutores da Lei vindos de Jerusalém. Desde o início de suas atividades esse conflito vinha crescendo e chegou a um ponto em que Jesus corria sérios perigos. Por isso, buscou proteção em território palestino. Entretanto, Marcos aponta que “Ele não conseguiu ficar escondido” (Mc 7, 24).
 
A súplica da mulher -: alguma coisa fez com que Jesus deixasse seu refúgio. Marcos conta que “Uma mulher, que tinha uma filha com um espírito mau, ouviu falar de Jesus. Foi até Ele e caiu a seus pés. A mulher era pagã, nascida na Fenícia da Síria. Ela suplicou a Jesus que expulsasse de sua filha o demônio” (Mc 7, 25 – 26).
Já vimos como a atividade de Jesus está ligada à libertação das pessoas de qualquer tipo de escravidão e alienação. Esse poder alienador e escravizador está ligado, no decorrer de todo o Evangelho de Marcos, à possessão do demônio. Já vimos também que, naquele tempo, quase todos os males eram atribuídos aos maus espíritos e demônios. De qualquer modo, Jesus estava diante de um caso que se relacionava diretamente com a missão que Deus Pailhe confiou: livrar as pessoas do poder de qualquer mal.
 
As famosas “migalhas de pão” -: as ações de Jesus, neste episódio, parecem estranhas. Todos nós esperamos que Ele fosse à casa da mulher para libertar a menina. Em vez disso, porém, Jesus fez uma afirmação que, num primeiro momento, parece até de humilhação à pobre mulher: “Deixe que primeiro os filhos fiquem saciados, porque não está certo tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos” (Mc 7, 27). Nesta frase de Jesus está contida a concepção corrente entre os judeus: o Messias viria primeiro aos judeus, ficando os demais povos para depois, se convertidos. Como a mulher era pagã e não judia, fica a pergunta: ela também participava, de algum modo, da salvação trazida por Jesus? Para os judeus, não.
Contudo, a resposta da mulher foi, além de surpreendente, bastante inteligente: “É verdade, Senhor, mas também os cachorrinhos ficam debaixo da mesa e comem as migalhas que as crianças deixam cair” (Mc 7, 28).
Lembremos mais uma vez que Jesus estava ali escondido porque era perseguido pelas autoridades do próprio povo que era o primeiro escolhido para receber a ação do Messias. Jesus, no entanto, é desprezado por essas autoridades, correndo mesmo até risco de morte. A mulher disse, humildemente, que pode sim participar da ação de Jesus, do mesmo modo que os cachorrinhos podem comer das migalhas de pão caídas ao chão. Em outras palavras, a mulher lembra a Jesus que, além dos judeus, outros povos podem participar de sua salvação.
É preciso notar também que é da boca da mulher pagã que saiu uma confissão de fé autêntica: ela chama Jesus de “Senhor” (com S maiúsculo), reconhecendo seu poder divino. Comparando com a incerteza dos discípulos, o escândalo dos conterrâneos, o medo dos familiares, que o consideram como louco, a rejeição dos fariseus e doutores da Lei, que dizem serem as obras de Jesus ligadas ao demônio, essa fé humilde da mulher pagã foi algo extraordinário. Diante da incompreensão e das pressões que Jesus sofrera na sua terra, a terra dos “filhos de Deus”, como os judeus se chamavam, a fé daqueles que eram considerados “cachorros” pelos próprios “filhos de Deus” se nos apresenta como algo realmente maravilhoso.
 
Jesus revela sua verdadeira face aos pagãos -: diante da fé da mulher em seu poder de libertação e salvação, Jesus não se faz de rogado: “Por causa disso que você acaba de dizer, pode voltar para sua casa; o demônio já saiu de sua filha” (Mc 7, 29). Jesus reconheceu, pois, a fé daquela mulher e por isso, libertou a menina do mal que a possuía: “Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já tinha saído dela” (Mc 7, 30).
 
As lições desse episódio -: como se vê, nenhuma ação de Jesus era feita ao acaso. A aparente humilhação da frase de Jesus à mulher pagã serviu apenas para revelar a fé daquela mulher: ao invés de se irritar com Jesus, ela simplesmente reconheceu sua posição humilde e aceitou o acontecido, mas não perdeu sua confiança em Jesus, sendo por isso recompensada em seu pedido. Por outro lado, Jesus procedeu daquela forma apenas para mostrar que, havendo fé, ninguém está fora de sua salvação e de seu amor.
Finalmente, podemos deduzir que a cura da menina deve ter se espalhado pela região, mostrando que a Boa Nova de Jesus não conhece fronteiras e está aberta para todos.
 

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