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Aula 17/2009
17- PRIMEIRA CARTA A TIMÓTEO
ORGANIZAÇÃO DA COMUNIDADE
(CARTA  INTEIRA)
 
 
Questões sem respostas-: a primeira carta a Timóteo (juntamente com as cartas aos Efésios, Colossenses, 2 Tessalonicenses, 2 Timóteo e Tito) pertence ao grupo de cartas chamadas de deuteropaulinas, ou seja, aquelas cartas onde não há certeza de que tenham sido escritas por Paulo, apesar de trazerem o nome do Apóstolo. Além disso, esta carta, juntamente com 2 Timóteo e Tito, é chamada de carta “pastoral”   (aquelas que eram enviadas aos presbíteros ou pastores, contendo instruções sobre a condução das comunidades). Na verdade, todas as cartas de Paulo são pastorais, e não apenas aquelas que foram enviadas aos pastores, no caso Timóteo e Tito.
   O fato desta carta, como as outras já mencionadas, ser considerada deuteropaulina não impede o fato dela ser uma carta inspirada pelo Espírito Santo, como todos os outros textos do Novo Testamento. Somente levantam-se muitas objeções contra o fato de ser Paulo de Tarso o seu autor. Por que?
   À primeira vista, não deveria haver dúvidas. Entre as primeiras palavras, lê-se: “Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por ordem de Deus, nosso Salvador e de Cristo Jesus, nossa esperança, a Timóteo...” (1Tim 1, 1 – 2). Acontece, entretanto, que naqueles tempos era costume atribuir certos textos a pessoas famosas, por motivos nem sempre claros. Neste caso, é claro que uma carta pastoral enviada em nome de Paulo seria levada na mais alta consideração pelos destinatários.
 
O porque das dúvidas-: os estudiosos do Novo Testamento, trabalhando a partir dos textos gregos, descobrem inúmeras diferenças entre as verdadeiras cartas de Paulo (Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Filipenses, 1 Tessalonicenses e Filemon) e as cartas deuteropaulinas. Essas diferenças incluem o modo de escrever, a teologia contida nelas, a cristologia, a eclesiologia e outras mais. Em suma, a visão do autor (ou autores) das deuteropaulinasé muito diferente da visão do Apóstolo Paulo.
 
No entanto ... -: existem aqueles que defendem que Paulo é o verdadeiro autor das pastorais, porque em certos trechos, ele desce a detalhes que somente um amigo muito chegado poderia conhecer. Por exemplo, em 1Tim 5, 23 ele escreve: “Não continue a beber somente água; tome um pouco de vinho, por causa do seu estômago e das frequentes fraquezas que você tem”. Lógico que esse fato, assim como outros do mesmo tipo, poderia ser do conhecimento de outras pessoas.
   Às vezes, existem temas das pastorais que combinam com temas típicos das verdadeiras cartas de Paulo, mas os que dizem que o Apóstolo não é o verdadeiro autor, afirmam que essas pastorais podem ter sido escritas por outras pessoas, a mando de Paulo, ou seja, “cartas sob encomenda”. A discussão continua até hoje e não tem prazo para terminar.
 
Quem foi Timóteo-: não se sabe muito sobre Timóteo, a não ser alguns dados contidos nas duas cartas a ele endereçadas e nos Atos dos Apóstolos. Paulo chama Timóteo de “meu filho na fé”, a fim de indicar que o convertera para o cristianismo. Isso aconteceu na cidade de Listra, durante a sua primeira viagem. Chama-o também de “verdadeiro filho”, pois Timóteo imitou, como nenhum outro, as virtudes e a vida santa de Paulo.
Timóteo foi encarregado por Paulo para ser seu representante na comunidade de Éfeso, uma das mais importantes e problemáticas daqueles tempos. A carta afirma também que Timóteo era jovem, mas sofria de algumas “fraquezas” físicas. Foi companheiro inseparável de Paulo até o fim.
 
Organização das comunidades -: fazendo-se uma leitura cuidadosa da carta, percebe-se a seguinte organização: em primeiro lugar, Paulo deixa que Timóteo permaneça em Éfeso “até que ele chegue”, mas isso não significa que Timóteo fosse apenas um representante provisório, pois seu ministério continua por toda a vida, como diz Paulo, “até à Aparição de Nosso Senhor Jesus Cristo” (1Tim, 6, 14). Timóteo era, na verdade, o chefe da comunidade de Éfeso.
   Em segundo lugar, a carta fala de um “cargo de direção”, ou “epíscopo”, que estaria subordinado às ordens de Timóteo. Dessa palavra grega, derivou o nosso termo “bispo”, mas suas funções não eram exatamente iguais às dos nossos bispos de hoje. Seria mais como uma espécie de “supervisor”, que relataria a Timóteo os acontecimentos importantes da comunidade.
   Em terceiro lugar, a carta fala de “presbíteros”. Essa palavra vem da cultura judaica e significa a presença de “anciãos” que dirigiam o povo. Para nós, hoje em dia, os presbíteros são os padres, embora as funções, outra vez, não sejam exatamente as mesmas. Parece que os presbíteros daqueles tempos eram encarregados das pregações e da catequese.
   Em quarto lugar, menciona-se os “diáconos”, palavra grega que significa “servidores”. Ainda uma vez, os diáconos daquele tempo eram um pouco diferentes, em suas funções, dos diáconos de hoje. Alguns trechos parecem indicar que, naquele tempo, poderia haver diáconos do sexo feminino.
   Finalmente, em quinto lugar, a comunidade dispunha de uma espécie de “ministério” das viúvas com mais de 60 anos, encarregadas, provavelmente, do atendimento dos necessitados.
 
O motivo principal e outros motivos-: esta carta foi escrita a Timóteo principalmente para orientá-lo na organização da comunidade de Éfeso, mas também fornece orientações sobre como enfrentar os cristãos “judaizantes”, que pretendiam transformar o cristianismo numa espécie de segunda religião judaica, como já vimos em outras cartas de Paulo. Fornece ainda orientações sobre como fazer as orações comunitárias, como devem agir as mulheres e os ricos da comunidade.
 

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