Quero fazer Cursilho
Escola Vivencial
Deixe seu recado
Aumentar fonte  Diminuir fonte  Indicar esta página  Imprimir esta página
Aula 30/01/17 - As Origens Do Mundo

ESCOLA VIVENCIAL DO GED DE PIRACICABA - 2017

 

AS ORIGENS DO MUNDO

30/Janeiro/2017

 

 

Os critérios de Santo Agostinho -:  As origens do mundo sempre foram um grande problema de interpretação para os exegetas (estudiosos) da Bíblia. Como interpretar corretamente o Livro do Gênesis?

            Até os anos finais do século 19, a tarefa era realmente complicada. Para dar um exemplo, Santo Agostinho, consciente do problema, interpretou as origens do mundo sob 3 critérios diferentes: o critério literal, o alegórico (ou simbólico) e a mistura dos dois.

            O critério literal referia-se a interpretar as origens do mundo exatamente como está narrado no Gênesis; o alegórico seria a interpretação dos fatos narrados no Gênesis como simbólicos, contendo a essência da criação Divina e finalmente, a interpretação que parecia na época mais aceitável, que seria a mistura dos dois critérios, extraindo-se de cada um aquilo que fosse mais lógico. Santo Agostinho, inteligente como era, via a possibilidade de várias formas de interpretação.

            No entanto, acabou prevalecendo no seio da Igreja a interpretação literal, que mandava seguir ao pé da letra aquilo que estava escrito. Por isso, quando Galileo Galilei propôs uma interpretação científica diferente, quase foi condenado, sendo obrigado a retirar sua teoria.

 

A vez da nova Ciência -:      Dessa forma, quando uma nova ciência (a Geologia) apareceu no século 16 e começou a projetar a idade da Terra em períodos de bilhões de anos, diferentemente da semana bíblica de sete dias, os exegetas começaram a ter enormes dificuldades para demonstrar que a Bíblia estava de acordo com a Ciência. Era evidente que as coisas não combinavam pelo critério literal. Apareceu então uma tendência chamada “Concordismo”, que dizia simplesmente que os “dias” da semana bíblica da Criação correspondiam às “eras” geológicas de milhões ou bilhões de anos, numa tentativa de combinar as coisas. Porém, nem assim o problema desapareceu, visto que a Geologia evoluiu e mudou muitos conceitos dos primeiros tempos. Assim, viu-se que o Concordismo não era correto.

 

A vez da Igreja -: Felizmente, em 1893, o Papa Leão XIII publicou uma Encíclica chamada Providentissimus Deus, que distinguia no primeiro capítulo do Gênesis dois fatores diferentes:

            1o. – O “fato” histórico da Criação;

 

            2o. – O “modo” pelo qual esse fato se realizou. 

 

            Quanto ao 1o. ponto, não há nenhuma dificuldade em conciliar a Bíblia e a Ciência. Que o Universo e com ele a Terra foram criados por Deus, não há dúvidas. Como explicar de outra forma? Quando a Ciência diz que o Universo começou a existir de uma grande explosão (o “Big Bang”), ela não consegue dizer como isso aconteceu, e o que havia antes dessa explosão. Como a Ciência só existe sobre verdades demonstradas e fatos concretos, qualquer outra interpretação de um cientista, sem provas, não seria ciência e sim especulação. É o que a Ciência chama de “teoria”, ou seja, hipótese sem comprovação. Mesmo os cientistas ateus, embora sem aceitar Deus, preferem ficar calados quando solicitados a colocar outra idéia, porque não poderiam prová-la. E sem provas, não existe Ciência.

 

            É no tocante ao 2o ponto, ou seja, o modo, a maneira como tudo isso aconteceu é que existiam e ainda existem controvérsias, pelo menos por parte de alguns. E, no entanto, não existe, na realidade, nenhuma dificuldade! A encíclica de Leão XIII diz aos fiéis o seguinte: a Bíblia, em qualquer um de todos os seus Livros, nunca procura explicar o “modo” de nada, visto que é um livro para quem tem fé. Explicando melhor, Leão XIII simplesmente diz que, desde que a pessoa aceite que o mundo foi criado por um ato de Deus (e já vimos que não há outra explicação), ela está livre para acreditar em qualquer modo demonstrado seriamente pela Ciência, inclusive a teoria da Evolução de Charles Darwin, se um dia ela vier a ser realmente comprovada.

 

Em conclusão -: Assim, concluindo, podemos fixar os seguintes pontos:

1)      Não há nenhum conflito entre a Bíblia e a Ciência, porque a Bíblia não procura demonstrar nenhuma afirmação de puro caráter científico;

 

2)      O Gênesis nos diz que Deus criou o mundo por um ato de sua Vontade, fato que a Ciência, embora não aceite, não poderá nunca desmentir, pois ela mesma não tem nenhuma outra explicação;

 

3)      Apesar da narrativa da Criação feita pelo Gênesis ser poética e simbólica, ela demonstra profunda capacidade de percepção de como as coisas ocorreram, do mais simples para o mais complexo e do mais imperfeito para a perfeição, que ainda não foi atingida nem nos dias de hoje;

 

4)      Finalmente, não seria possível ao autor bíblico da época descrever ao povo simples e inculto daqueles tempos a criação do mundo de outra forma a não ser como ela foi descrita: simples, poética, simbólica, mas perfeitamente de acordo com o sentido da criação feita por Deus.

 

Site criado com o sistema Easysite Empresarial da eCliente.
ECLIENTE INFORMÁTICA